Vida de imigrante

Já faz quase um mês que tive que deixar Londres. É como se as férias de verão tivessem acabado. A vida dura continua e o trabalho de garçonete é um pouco duro. Este é um trabalho que não leva a nenhum lugar, como muito poderei administrar o meu própio restaurante.

O bom deste trabalho é que agora tenho contato direto com os ingleses, realmente parecem ser educados ainda que algumas pessoas dizem que não. Pelo menos usam as palavras mágicas: por favor e obrigado a todo momento. Eu definitivamente gosto dos ingleses.

Ainda que não tenham uma boa culinária, eles têm os mesmos hábitos dos brasileiros para comer. Costumam almoçar e jantar no mesmo horário que nós brasileiros e ainda têm a hora do chá, quase na mesma hora da merenda no Brasil.

Infelizmente, nem tudo é sombra e água fresca. Quando quis sair do Brasil para estudar na Espanha, o meu falecido pai me disse que a vida de imigrante é muito difícil, que não queria esta vida para mim. E eu lhe disse para não se preocupar que como estudante seria diferente. Realmente foi diferente.

Já aqui no Reino Unido senti na veia como é esta vida dura de imigrante. Trabalho mais de 10 horas por dia em pé para receber menos que o mínimo permitido por lei. Tudo isso, para aprender inglês. Não sou de desistir fácil, mas cada dia aqui parece um ano. Imagino que as pessoas devem sentir o mesmo na prisão. Minhas horas fora do trabalho são essenciais para que eu saiba que a vida existe.

O trabalho é árduo e isso eu já sabia, mas creio ter um pouco de azar. Infelizmente a convivência no trabalho é difícil e trabalhar em equipe me está resultando insuportável. Nós brasileiros não temos o costume de dizer por favor e obrigado a todo instante porque senão ficamos pedantes. É o tom da voz que é essencial para demonstrar a boa educação.

Realmente, não sei conviver com pessoas mal educadas: que gritam, falam palavrões e são estúpidas até mesmo quando a sua intenção é a de ajudá-las. Por mais que eu tente, não consigo compreendê-las. Trabalho com um casal do Sul da África. Não são negros, muitos poderiam tentar usar a cor da pele deles como justificativa. Eles não têm paciência e são estrictos e rígidos, parece um pouco com a disciplina estúpida que vemos nos filmes de guerra e exército. Nunca sei com o que e quando ficarão contentes.

Nós brasileiros somos diferentes e parecidos em muito com os europeus, temos um pouco dos hábitos espanhóis, ingleses… Um cadinho daqui, outro de lá e juntando com o jeitinho brasileiro, definitivamente, somos pessoas cativantes. É uma pena que não somos “livres” para viajar e morar em qualquer país do mundo.

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