O dia da Mona

O dia da Mona

No Dia da Mona, na Catalunha, os padrinhos dão de presente um bolo de Páscoa aos afilhados.

Já sabemos que Catalunha oferece os encantos do mar e da montanha, vida saudável e oportunidades de trabalho. Também tem uma cultura rica que se torna ainda maior com a possibilidade de conviver com pessoas de todo o mundo.

Desde quando chegamos, seja de Astúrias ou do Brasil, sentimos a pressão do idioma catalão. Cada país, estado ou comunidade tem a sua história. Quantos países tiveram ditadores? Confesso, era quase impossível entender a obsessão dos catalães por Franco.

Talvez, porque os brasileiros têm outra maneira de repudiar a censura e o autoritarismo. Do samba a tropicália. Através da música podemos contar a nossa história. Quantas pessoas desapareceram no Brasil? Quantos morreram na ditadura? Quantos sofrem com a “ditadura” da pobreza ou da “guerra” nas favelas?

Cada pessoa, comunidade ou país reage de uma maneira bem particular aos problemas. Nós brasileiros temos a fama de sermos pessoas abertas, alegres… Resolvemos os nossos problemas com o futebol, o samba, o sertanejo…

Será que abstraímos dos problemas globais em função dos problemas particulares? É mais importante ter um emprego, cuidar da família, enfrentar a dura realidade de conviver com um familiar alcoólico ou um filho drogado…

Será que os problemas do dia a dia nos afastam dos problemas da nação? Ou é porque a história do nosso país não passa de geração em geração? Será que os nossos avôs não viveram o suficiente para contar a história da vida deles? Ou será que a informação ficou retida na fonte?

O único que sei é que agora entendo porque os jovens catalães têm um sentimento nacionalista muito forte. É porque a história segue viva. Aqueles que sofreram o impacto de uma ditadura da noite para o dia ainda podem contá-la aos netos e sobrinhos. Aqueles que sentiram na pele o sofrimento da marginalização ainda podem manifestar a sua raiva. E não é a mesma coisa ler em um livro alguns poucos detalhes que escutar a história da boca daquele que a viveu.

É por isso, que depois de conhecer a história de uma senhora catalana de 83 anos, que com apenas nove anos de idade e, seguramente sem entender o motivo, teve que deixar de falar o idioma que aprendeu em casa de um dia para o outro e, que ao falar, mesmo que inconscientemente, o catalão em público apanhava na boca, fica mais fácil entender e respeitar o movimento pro-catalão. Até mesmo o nome próprio teve que ser traduzido do catalão ao espanhol.

Ninguém discorda que essa e outras histórias são tristes, mas isso não justifica o ato de querer “obrigar” os estrangeiros a aprender o catalão antes mesmo do espanhol. Como os próprios catalães sabem: aquilo que é imposto não é bem aceito.

Mas com o tempo, a convivência, e o amor pela terra querida dos catalães faz com que aprendamos a entender e a gostar da cultura deles e mais… Também queremos fazer parte dela.

Hoje é o dia da Mona, quando os padrinhos dão de presente o bolo típico de Páscoa aos afilhados, marcando o fim da quaresma.

É feriado, pois é a segunda-feira de Páscoa Catalana.

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